segunda-feira, 1 de agosto de 2011

o que posso e não posso dar a meu cão

:Posso dar leite para meu cachorro?

Os órgãos responsáveis pela digestão alimentar de seu amigo canino possuem dificuldade para processar a lactose. Por isso, dar leite de vaca para seu cãozinho vai ocasionar em uma bela dor-de-barriga. O único leite recomendado, que possui baixíssimo teor de lactose é o de cabra, que inclusive eu uso, misturado com um pouco de ração, na fase de desmame de meus filhotes.


Caso tenha alguma dúvida quanto a outros tipos de leite consulte um veterinário experiente.

:Cachorros podem comer legumes e frutas?

Embora não seja essencial à dieta dos cães e gatos, a adição de vegetais frescos e variados tem vantagens interessantes: é fonte de fibras, fornece valiosos antioxidantes (nutrientes que combatem o câncer e as inflamações) e uma infinidade de outras substâncias benéficas à saúde e, de modo geral, acrescenta poucas calorias à dieta.


Que legumes e verduras podem ser oferecidos?


Praticamente todos: cenoura, batata, mandioquinha, inhame, ervilha, ervilha-torta, berinjela, rabanete, tomate, brócolis, cará, batata-doce, batata-inglesa, beterraba, abobrinha, abóbora, vagem, quiabo, pimentões das três cores, palmito, couve-flor, chuchú, couve manteiga, salsinha e manjericão.
Mas atenção! Alguns somente cozidos! (leia sobre isso mais abaixo).


Que frutas podem ser oferecidas?

Maçãs (retire as sementes, elas liberam cianeto no estômago dos cães), pêra, goiaba, banana, manga (sem o caroço), melão, melancia, polpa de coco, mamão, ameixa, caju, caqui, figo, amora, framboesa, morango, laranja, mexerica e abacaxi. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os cães podem comer frutas cítricas. É só não exagerar na quantidade. O estômago dos cães é muito mais ácido do que qualquer fruta!

Que legumes, verduras e frutas não devo oferecer?

    * Abacate – apesar de muitas pessoas relatarem que seus cães consomem essa fruta caída de árvores sem problema algum, a literatura científica cita que uma substância do abacate, a persina, pode causar transtornos gastrointestinais nos cães
    * Espinafre – é rico em ácido oxálico, o que predispõe à formação de cálculos urinários de oxalato de cálcio
    * Cebola e alimentos preparados com cebola – mesmo em pequenas quantidades, o n propil dussulfito das cebolas pode provocar um tipo grave de anemia nos pets
    * Batatas, inhame, mandioquinha, cará crus – apresentam solamina, uma toxina que pode deprimir o sistema nervoso central e provocar distúrbios gastrointestinais
    * Batata germinada – ricos em solamina, uma toxina que pode deprimir o sistema nervoso central e provocar distúrbios gastrointestinais
    * Brotos de batata – uma toxina que pode deprimir o sistema nervoso central e provocar distúrbios gastrointestinais
    * Pimenta – pode irritar o estômago dos cães
    * Uva e uva passa – muitos cães adoram uvas e passas, mas elas possuem uma toxina não identificada que pode provocar sérios danos renais aos cães
    * Mandioca
    * Folhas e caules de tomate
    * Folhas de abacate
    * Folhas e caules de batata
    * Ruibarbo
    * Folha de berinjela
    * Folha de beterraba

Quanto oferecer?

Na Alimentação Natural básica para cães adultos, a oferta de legumes e frutas corresponde a cerca de 15 a 20% do total diário. Entretanto, no caso de dietas caseiras de maior teor calórico, indicadas para ganho de peso ou para manutenção de cães atletas, cadelas em final de gestação ou lactantes, etc, a oferta de legumes ricos em energia, como batatas, inhames e mandioquinhas, pode chegar a 30% do total diário. É preciso respeitar a porcentagem estabelecida de vegetais dentro da dieta caseira natural. Do contrário, o balanceamento da alimentação pode ficar prejudicado. Um aumento indiscriminado na quantidade de vegetais pode causar redução na capacidade de absorção de gorduras e de minerais, aumento do pH do sangue predispondo o pet a infecções urinárias e à formação de cálculos urinários de estruvita, entre outros problemas.

Muitas pessoas oferecem pedacinhos de maçã, banana ou cenoura como forma de premiar os cães durante brincadeiras e sessões de adestramento. Isso é ótimo; todos os nossos cães foram adestrados assim. Mas procure limitar a oferta de petiscos a não mais do que 10% do total de alimentos. Acima disso, desconte da porcentagem total de vegetais a oferecer por dia. Por exemplo: meu Pastor de Shetland deve receber 60 gramas de vegetais por dia, de um total de 240 gramas de alimentos. Se eu quiser oferecer até 10% (24 gramas) de vegetais na forma de petiscos ou lanches, nem preciso descontar do total diário de vegetais. Mas, se eu oferecer a ele 40 gramas de frutas como recompensa durante um treino, servirei apenas 20 gramas de vegetais no almoço ou no jantar dele.


Como preparar e oferecer?

Para que possam digerir adequadamente e aproveitar os nutrientes de legumes e verduras, os cães precisam ingerir esses alimentos como que pré-digeridos. Conseguimos isso triturando esses alimentos até obtermos um “purê” de vegetais, ou cozinhando-os. O calor amolece o alimento e a trituração reduz o tamanho das partículas; ambos facilitam o trabalho da digestão. Legumes triturados não precisam ser cozidos e vice-versa. Existem algumas exceções importantes: legumes da família das batatas, como mandioquinhas, inhames, carás e batatas-doces, precisam sempre ser cozidos. Isso porque batatas cruas contêm uma toxina chamada solamina, que pode causar diarréia nos cães. O calor inativa essa toxina. Outra exceção são as folhas verdes, como o manjericão, a salsinha e a couve-manteiga. Elas devem sempre ser trituradas até se tornarem um “purê”, independentemente de estarem cruas ou cozidas. Nós preferimos oferecer folhas verdes trituradas cruas, já que assim retêm mais nutrientes.

Em relação aos demais legumes, veja como fica mais prático para você. Para tornar a Alimentação Natural mais conveniente, muitas pessoas preferem processar de uma vez uma combinação de quatro ou mais legumes crus diferentes, usando um liquidificador ou mixer (processador de alimentos). Com o purê pronto, elas preparam e congelam porções completas de dieta natural para seus cães e gatos para muitos dias, respeitando as proporções informadas em nossas sugestões de cardápios. Outras pessoas preenchem fôrmas de gêlo com o purê de legumes e o congelam desta maneira. Assim, basta desenformar um ou mais cubinhos de purê, descongelá-los e servir com o restante da refeição. O preparo e congelamento do purê de vegetais acarreta uma perda nutritiva. Para minimizar isso, mantenha o purê congelado por no máximo 15 dias. Outra opção, para quem deseja oferecer vegetais crus, é processá-los na hora, pouco antes de servir. Essa é a maneira que resulta em menor perda de nutrientes, já que o purê não é submetido a nenhum tratamento por calor ou frio.

Se optar por cozinhar, prefira o cozimento ao vapor por cerca de 15 a 20 minutos, que é o método de cocção que melhor conserva os nutrientes dos alimentos. Se não puder/quiser comprar a panela a vapor, cozinhe os legumes em panela com pouca água e fogo baixo, até que estejam tenros. Não acrescente temperos ou sal – as carnes já fornecem naturalmente um bom teor de sódio.

Passamos dois anos oferecendo os legumes crus (com exceção das batatas, que sempre cozinhávamos). Atualmente, o que nós fazemos é cozinhar ao vapor os legumes que vamos oferecer no dia. Parece trabalhoso, mas não é. Apenas pico uma combinação de dois a quatro legumes diferentes – ou acrescento-os inteiros, no caso de vagens – coloco tudo na panela a vapor, tampo, e esqueço lá por cerca de 15 a 20 minutos. Monto as refeições dos meus pets e guardo o restante de legumes cozidos na geladeira. Só não cozinho as folhas verdes. Essas ofereço uma vez por semana e sempre as trituro cruas no mixer com um pouco de cenoura ou outro legume para formar um purê consistente.

De modo geral, vegetais crus triturados apresentam nobres nutrientes in natura e enzimas delicadas, o que os torna mais nutritivos. Já os vegetais cozidos apresentam uma perda nutricional, mas são mais palatáveis e, segundo algumas teorias, são melhor aproveitados pelos cães. Opte pelo cozimento ou pela trituração (“purê”) ou alterne os dois métodos.

Em relação às frutas, devem ser oferecidas cruas e, sempre que possível, sem sementes. Se a casca for comestível, nutritiva e atraente ao paladar do cão, como no caso da casca de caqui, figo, maçã e até banana (sim, é muito nutritiva), pode ser oferecida. Já melões, mamões, mangas, etc, devem ser oferecidos sem casca. Muitos proprietários relatam que uma ótima maneira de distrair os cães é oferecer a eles cocos verdes partidos ao meio. Os cães ficam um tempão raspando a polpa do coco e até roem parte da casca.

Ocasionalmente, frutas podem substituir legumes e verduras nas refeições dos cães. Uso frutas como substitutos sempre que fico sem verduras. Meus cães adoram!


Recapitulando:

    * A oferta de legumes e verduras na Alimentação Natural básica para cães adultos não deve passar de 20%
    * Os legumes precisam ser oferecidos cozidos ou triturados até virarem um “purê” a fim de serem digeridos e aproveitados pelos pets
    * Batatas, mandioquinhas, inhames e afins devem sempre ser cozidos
    * Folhas verdes devem sempre ser trituradas ou não serão digeridas
    * Os demais legumes podem ser triturados ou cozidos, veja como seu pet prefere e como fica mais fácil para você
    * Para fornecer uma infinidade de nutrientes interessantes, varie ao máximo os legumes e verduras oferecidos.

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